A IMPORTÂNCIA DUMA BIBLIOTECA NOTURNA EM SERTÂNIA

 Por Wellington Santana
 
Sem promoção da leitura num país a capacidade de seu povo lidar com informações escritas é baixa e, consequentemente, o progresso e o seu desenvolvimento sentirão seus reflexos.

No ambiente escolar parece haver consenso sobre a importância dos livros como fontes de saber e de cultura e como meio eficaz de aperfeiçoamento linguístico. Porém, existe uma comodidade geral no sentido de conduzir as crianças e os jovens à leitura. Partindo do próprio meio familiar, onde, via de regra, não se reserva um tempo livre para a leitura nem se estimula o gosto por esta atividade e a tudo o que com ela se relaciona, também a comunidade escolar deixa a desejar. Entendamos por comunidade escolar não somente os professores e professoras, mas todos os agentes de educação, inclusive a Secretária Municipal de Educação e Cultura.

Ainda são pouquíssimas as famílias que tem uma biblioteca ativa em casa, mesmo pequena. Geralmente, se tem num canto da sala uma estante com alguma enciclopédia que nunca vai ser lida (fica lá como enfeite) ou alguns livros didáticos adotados na Escola dos filhos. Nas famílias mais pobres, onde sequer as necessidades mais elementares são atendidas, como comprar livros quando se falta até a alimentação de cada dia? O tempo livre quase sempre é preenchido com televisão ou jogos de vídeo.

Pra acabar com essa falta de vontade e de tempo pra ler livros e as pessoas não somente entenderem a necessidade dessa prática para o crescimento em várias áreas do conhecimento, mas da própria condição humana, é preciso motivá-las.

Por conseguinte, a sociedade e os Governos precisam facilitar a criação de estruturas de apoio à leitura, dentre os quais está uma biblioteca municipal pública com livros diversificados, salas de leitura e estudo adequadas, e com horários que atendam às necessidades dos usuários.

Nesse sentido, uma biblioteca pública municipal aberta em três turnos (manhã, tarde e noite) tem um papel importantíssimo como um ambiente de pesquisa para as atividades curriculares das escolas e, como espaço aberto às pessoas em geral, representa uma atitude muito positiva como estímulo ao prazer de ler, sejam leituras recreativas ou informativas.

Sertânia é uma cidade conhecida, entre outras coisas, pela força de vontade de estudar de seus jovens, com altos índices de aprovação em concursos públicos e vestibulares. Paradoxalmente, este pessoal não dispõe de uma biblioteca pública com cabines ou salas de estudos adequadas e, mesmo assim, a que existe não abre à noite. Cada um que se vire em garagens ou quartos mal iluminados e sem ventilação – verdadeiros fornos durante o verão.

Fica como sugestão ao Governo Municipal de Sertânia, portanto, que se busquem recursos federais, estaduais ou municipais e construa num daqueles galpões próximo à rinha de galos, uma ampla biblioteca, com um acervo variado de livros, espaços para leitura e estudo confortáveis, e que funcione nos três turnos.

Wellington Santana é sociólogo, nasceu e viveu em Sertânia até início dos anos 80’.

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