Líbia?! E nós com isso?

Líbia!? E nós com isso? Hoje, gostaria de compartilhar um pouco de minhas inquietações sobre o que temos visto - melhor seria dizer: do que NÃO temos visto -, escutado e lido sobre o massacre da Líbia, do seu povo e do seu território, em nome sua "democratização". 

Alguém poderia objetar fraternalmente: "Com tantos problemas enfrentados por aqui, por que complicar ainda mais esse quadro, pensando nessa tal de Líbia? Onde fica mesmo esse país?"

Mesmo assim, permitam-me compartir algumas inquietações.

Primeiro, em relação ao que nos é passado pela mídia convencional, que costuma ser a versão assimilada e reproduzida pela grande maioria da população.

A exemplo do que se passa em outras partes do mundo, as populações estão se levantando contra os ditadores. Também na Líbia, governada por Kadhaffi, há mais de quarenta anos, o povo cansou, despertou e agora luta pela sua libertação. E para isso conta com a solidariedade do mundo democrático, por meio da ação da OTAN...

Agora, trato de expor algumas dúvidas frente a esse consenso ideológico.

- As grandes potências que hoje aparecem como solidárias ao povo da Líbia mostram o mesmo empenho "libertário" em relação a tantas outras ditaduras com quem convivem tão harmoniosamente? Por que esse interesse repentino e seletivo, justamente em relação à Líbia?

- Sendo, como são, em grande número, os países governados por ditaduras, e não podendo atacar todas as ditaduras ao mesmo tempo, de modo eficaz, não seria mais razoável INICIAR-SE um esforço libertário pelas experiências mais extremadas? A Líbia se encaixaria como das primeiras?


- No combate a essas - e outras! - ditaduras, quem deve ser escutado em primeiro lugar, inclusive como principal protagonista de seu processo de libertação? No caso da Líbia, é o conjunto mesmo do povo que está sendo consultado? Será mesmo o conjunto da população que se põe como protagonista da expulsão de seu ditador?

S

- Qual o contingente proporcional da população efetivamente assumindo a luta de resistência? 

- Por quê, desde o início das manifestações, houve e há tanto interesse das potências ocidentais ditas "democráticas" em tomar a frente desse processo?

- Em relação ao tal ditador, que moral têm essas potências que, não faz muito tempo, tinham como seu aliado a pessoa mesma do ditador?

- Que moral têm essas grandes potências de expulsar um ditador, considerando o modo como se organizam, por mais que se digam "democráticas"?

- Qual o lugar da Líbia no cenário dos países com maiores potencialidades de riquezas, a partir de suas cobiçadas reservas de petróleo?

- Será mesmo o conjunto do povo da Líbia o alvo da suposta solidariedade da OTAN, agindo por meio dessas massacrantes operações de guerra massacrar tanta gente e a destruir vastas áreas daquele território? Será mesmo o povo da Líbia o o protagonista e o beneficiário desse processo?

- A quem interessa arruinar um país e seu povo? Quem ganha com isso? Qual o interesse das grandes empreiteiras? Qual o interesse da indústria de armamentos? 

- Quem garante que, uma vez expulso o ditador, acaba a ditadura?

- Para que(m) tem servido a ONU?

- Quem garante que, calando sobre essa ação de pilhagem travestida até de "ação humanitária", nós estejamos a alimentar a gula assassina do grande capital, e, mais cedo, mais tarde, ela se volte contra nós, devastando nosso próprio território, como aliás já se faz, de tantas formas?

E haja hipocrisia! Mas, até quando?

Contra a farsa democrática! Pelo respeito à autodeterminação dos povos! Contra toda forma de ditadura e opressão!


 Dr.Alder Júlio Calado

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