Os agitos literários do poeta Marcelino Freire

Marcelino Freire é um agitador incansável. Passou a última semana percorrendo as estradas desse país, em nome da literatura e da poesia. O périplo começou em Ourinhos, no A(o)gosto das Letras onde tive a oportunidade de ouvi-lo, depois foi para a Jornada de Passo Fundo, e voltou a São Paulo, para dar uma oficina de poesia na Tarrafa Literária. Criador e organizador da Balada Literária, ele anima os bares e livrarias da Vila Madalena, há 5 anos, com  bate-papos e mesas de discussão com autores.
Nesta terça-feira, quem estiver na capital paulista poderá vê-lo ao lado da filosófa e escritora Márcia Tiburi, lendo seus textos no Zona Literária, que já recebeu Lourenço Mutarelli e Fernanda D´Umbra.. Vale a pena acompanhar o sarau.
Impossível ficar imune a sua verve com forte sotaque pernambucano!
Marcelino lê o Poeminha de amor concreto, do recém lançado Amar é crime

Foi em contato com a poesia de Manuel Bandeira que eu pensei eu quero ser poeta
“O primeiro romance que eu li foi São Bernardo de Graciliano Ramos, e o primeiro poeta que eu li foi Manuel Bandeira, aos 9 anos de idade.”
Carismático, Marcelino encantou a platéia ao contar um pouco da sua história, no A(o)gosto das Letras, onde dividiu mesa com o jornalista e crítico Jefferson Del Rios.
Filho de retirantes, nasceu em Sertânia, interior de Pernambuco, depois foi levado para Paulo Affonso e aos 9 anos chegou em Recife. Foi criado pela mâe que teve 9 filhos. “Minha mãe queria que pelo menos os filhos mais novos estudassem… Eu nunca vi uma mãe dizer para o filho, eu quero que quando você crescer, você seja poeta. Ela dizia: Eu quero que você estude pra ser gente. E gente não é poeta! “, completa.

Marcelino fez teatro, queria ser ator, começou escrevendo para teatro, por isso seus textos carregam esse elemento teatral e são procurados  para serem representados.  Angu de Sangue foi  adaptado com sucesso para os palcos: “Meus textos são também muito musicais,  tem sempre uma ladainha, rimas, o tom do cordel. No Contos Negreiros eu  até chamo de cantos: canto número 1, canto número 2…”
Contos Negreiros, foi vencedor do Jabuti em 2006 e tem versão em audiolivro ( Editora Livro Falante ) que eu gosto muito, com Marcelino declamando os cantos, música e voz de Fabiana Cozza.  A cada três anos ele publica um novo livro, seu último é Amar é crime começa com o “poeminha de amor concreto” anti-homofobia e termina com 30 microcontos.

No segundo encontro do projeto Zona Literária, do poeta Ademir Assunção, o escritor Marcelino Freire vai estar com Márcia Tiburi com quem já conversamos aqui diversas vezes. Misturando poesia e música, o evento conta com a participação de músicos. Os espetáculos são como um show musical convencional, em que os poemas são lidos, e não cantados. O projeto vai até o final do ano, com duas apresentações mensais.
Zona LiteráriaColetivo Galeria
Rua Pinheiros, 493
Data: 30/08
Horário: 22h
Ingresso: R$ 8

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