GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUÍDAS: sinal e semente de um novo tempo...

Dr. Alder Júlio Ferreira Calado
 
A décima sétima edição do Grito dos Excluídos e Excluídas se dá num contexto sócio-histórico profundamente grave, e, por isso mesmo, ainda mais desafiador e instigante, a demandar dos protagonistas de um novo tempo - os "de baixo"! - uma enorme capacidade de discernimento, de criatividade, de ousadia e de paciência histórica: eis que, desde as "correntezas subterrâneas", vai irrompendo um novo sujeito histórico, enquanto o velho não cessa de emitir sinais de sua irrecuperável 
caducidade. 
 
O atual quadro mundial revela-se, com efeito, como nunca antes, em clara mudança de época. Multiplicam-se os sinais, por toda a parte. Cai por terra a presunçosa teoria fukuyamiana e de seus aliados do pretenso "fim da História". Os povos da África e do Oriente Médio seguem sinalizando, a despeito de suas fragilidades (por vezes, correndo o risco de confundir a expulsão do ditador com o fim da ditadura), que estão cansados de servir de massa de manobra para a manutenção dos privilégios dos setores dominantes dos países centrais do Capitalismo. 
 
Na América Latina e Caribe, há sinais promissores de uma nova efervescência alternativa à barbárie do Capital. Os estudantes chilenos, acompanhados pelos Trabalhadores e por outros movimentos populares, se rebelam, partindo do clamor por educação pública, em direção a horizontes alvissareiros de humanização. Não sendo uma ilha, o Brasil interage com todos esses sinais de vida, por meio das forças sociais que historicamente têm reunido as melhores condições de efetivos sujeitos de mudanças, desde que não se resignem à sedução dos apelos do Mercado e dos aparelhos de Estado., mas sigam apostando firmemente em sua autonomia.   
 
Como se sabe, durante essa primeira semana de setembro, em diferentes partes do Brasil - e para além de nossas fronteiras - vem-se realizando, pela 17a. edição, o
 
GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUÍDAS,
 
sob a inspiração do seu tema/lema:
 
"A vida em primeiro lugar! PELA VIDA GRITA A TERRA... POR DIREITOS, TODOS NÓS!"
 
Fruto e expressão da sensibilização social lograda pelas SEMANAS SOCIAIS promovidas pela CNBB, desde a primeira metade dos anos 90, o GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUÍDAS, contando (em grau variado, conforme o copromisso das dioceses) com a participação das Pastorais Sociais, tem sido encampado notavelmente por um leque expresivo de Movimentos Sociais Populares e outras organizações de base de nossa sociedade, de modo a incluir entre seus protagonistas representantes de movimentos nas áreas de Meio Ambiente (povos tradicionais atingidos pela insânia dos projetos faraônicos de hidrelétricas ou de transposição, contra a aprovação do novo Código Florestal); de Espacialidade (Movimentos do Campo e Movimentos Urbanos); de Classe (Movimento Sindical, diversos segmentos de Trabalhadoras e Trabalhadores Desempregados, Sub-empregados, precarizados, sem terra, sem teto, sem o necessário atendimento dos serviços públicos essenciais ncomo Saúde, Educação, Transporte Coletivo, Moradia, Energia); Gênero e diversidade humana (Mulheres, Movimento LGBT); de Etnia (Grupos Indígenas, Comunidades Quilombolas, Afrodescendentes): de Geração (Jovens, Adolescentes, Crianças, Pessoas idosas); de  Segmentos formados por Pessoas com necessidades especiais, entre outras.
 
Para abrigar essa rica diversidade, foram organizados, durante meses de trabalhos, cinco Eixos de lutas principais:
 
Meio Ambiente (contemplando os movimentos e organizações de base mais diretamente ligados às lutas em defesa do Meio Ambiente e dos Povos tradicionais, contra as grandes hidrelétricas, contra a Tansposição, contra o agronegócio, contra a aprovação do Código Florestal, contra o envenenamento de fontes, de rios, do solo, dos alimentos, etc.);
  
Trabalho (abrigando militantes do mundo sindical, do MTD, dos movimentos eclesiais mais ligados ao mundo do trabalho);
 
Gênero. LGBT e Etnia (protagonizado por diferentes segmentos de Mulheres, diferentes segmentos do Movimento LGBT e de Movimentos dos Afrobrasileiros) 
 
 
Combate à criminalização da Juventude e dos Movimentos Sociais (eixo formado por vários sementos de jovens e de movimentos sociais-alvo de processos de criminalização seletiva)
 
Políticas Públicas (eixo representando  vários segmentos da população, vítimas da inexistência ou do mau atendimento às suas necessidades básicas, em especial de Saúde, de Educação, de Moradia, de Transporte Coletivo e de Energia);
 
Memória, Mística e Utopia (eixo destinado a exercitar a Mística, buscando sempre manter aceso  o rumo de libertação, bebendo nas fontes de nossas lutas históricas, de movimentos do passado com suas figuras emblemáticas (foram mencionados nomes como o do Pe. José Comblin, Héliton de Santana, João Pedro Teixeira, Margarida Maria Alves, Irmã Dorothy, Gregório Bezerra...)
 
Ao longo da marcha, foram feitas algumas paradas, em que cada Eixo foi chamado a dizer sua palavra, em nome dos vários segmentos que compunham cada um. E assim foi feito!
 
Na grande marcha do Grito dos Excluídos e Excluídas, realizada ontem à tarde, por ruas e praças de João Pessoa, toda essa diversidade se fazia participante, com suas faixas, seus cartazes, suas palavras de ordem, sua indumentária, seus cantos, suas coreografias, seu gingado, suas falas, seu manifesto, suas reivindicações... e com sua disposição de luta para o Pós-Grito!
 
Para tal desempenho, foi necessário um longo e prévio trabalho de prepação, assumido por diferentes Comissões (a de articulação e comunicação; a de infraestrurura e finanças, a de animação, entre outras. Para ilustrar a relevância dessas comissões, basta que citemos o exemplo de apenas uma delas, a de Animação: que papel fundamental cumpriu, ao longo de toda a marcha! Em verdade, trata-se sempre de trabalhar por meio do Mutirão. O Mutirão faz a difernça!
 
Na Praça dos Três Poderes, foi encerrada a marcha do Grito/2011, com a entrega ao Governo do Estado da lista de reivindicações dos distintos segmentos dos Movimentos Sociais Populares e das demais organizações de base de nossa sociedade, não sem o alerta a todos os participantes, de que, encerrada aqule momento de luta, todos se sentissem convocados para o Pós-Grito, assumindo nosso calendário de lutas...
 
A VIDA EM PRIMEIRO LUGAR!
 
PELA VIDA GRITA A TERRA... POR DIREITOS, TODOS NÓS!

Comentários

 
Copyright ©2018 GArganTA MAGAlhães Todos os Direitos reservados | Designed by Robson Nascimento