Uma Lenda do Rock em Recife...

Ringo Starr supera injustiça histórica e confirma habilidade como músico
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
18/11/2011 | 10h53 | Ex-Beatle
Quando um jornalista perguntou a John Lennon se Ringo Starr era um dos melhores bateristas do rock, o autor de Imagine não perdeu a piada. “O Ringo? Mas ele não é nem o melhor baterista dos Beatles!” A brincadeira, hoje antológica, diz muito sobre a reputação de Richard Starkey nos anos 1960. Na época, ele era tratado mais como um ídolo pop e menos como um músico habilidoso. Uma injustiça que o tempo tratou de corrigir. Músicos como Phil Collins e Phil Rudd (AC/DC) se declaram fãs de Starr. “Os trechos de bateria de uma canção como A day in the life são complexos. Hoje em dia, um baterista não saberia como fazer”, comentou Collins. Na história da música pop, poucos artistas se tornaram tão populares.

Ringo sempre riu de si mesmo — temperamento que produziu uma série de estigmas em torno de um “popstar” irônico, generoso, que parecia tratar o rock como uma brincadeira. Numa época em que bandas criavam arte, era uma imagem dissonante. Um estado de inadequação que, por sinal, não parecia incomum para um rapaz que, desde adolescente, destoava do ambiente em que vivia. Quando criança, entrou em coma após uma cirurgia para tirar o apêndice. Pouco tempo depois, na adolescência, perdeu vários anos de escola ao ser abatido por uma pneumonia. E isso bem antes do início do “sonho beatle”—  que começou como que por um golpe de sorte, num show em Hamburgo, Alemanha, em outubro de 1960.

Diz a lenda que, naquela época, George Harrison e Paul McCartney contavam os dias para dispensar o baterista Pete Best — que preferia ficar trancado no quarto quando os amigos de banda saíam para se divertir. Resolveram o dilema ao dividir o palco com Ringo, que, na época, integrava o grupo Rory Storm and the Hurricanes. Dois anos depois,  tornou-se um beatle “oficial”, e assumiu o desafio com a energia que lhe era típica: nas primeiras gravações com o grupo, surpreendeu o produtor George Martin ao tocar bateria e percussão simultaneamente. “Nós achávamos que a banda não duraria. O Paul queria ser escritor, por exemplo”, contou, em entrevista ao The Daily Mail.
Dificuldade
Ringo, no entanto, sabia muito bem o que queria. Antes dos Beatles, ele era uma pequena celebridade de Liverpool. Nos shows, tinha até um segmento para que brilhasse: o “Starr-time”. Quando convocado para o quarteto, exercitou outros dons: interferia nas composições de Lennon e McCartney (colaborou em Eleanor Rigby, por exemplo), criou frases amalucadas que se transformaram em nomes de canções (como “tomorrow never knows” e “a hard day’s night”) e interpretou o narrador de faixas como Yellow submarine. Queria mais: no meio das gravações do “álbum branco”, lançado em 1968, abandonou o estúdio, inconformado com a dificuldade de emplacar composições próprias. No “exílio”, escreveu a ótima Octopus’s garden, que entrou no disco Abbey Road, de 1969.

Caminho solo
No ocaso dos Beatles, a carreira de Starr tomou uma direção não muito típica. Em vez de se isolar em projetos solitários — como fizeram Lennon e McCartney —, criou discos que soavam como reuniões informais de amigos. Em Ringo (1973), conseguiu agregar todos os ex-integrantes dos Beatles, ainda que não numa mesma música. Experimentou em diversas searas — do country aos standards da música pop — e, se não concebeu álbuns memoráveis (são 15, até agora), manteve intacta a condição de “mascote” preferido dos fãs de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. Nos shows com a All-Starr Band (que já teve 11 versões, desde o fim dos anos 1980), ele coloca em prática o lado altruísta: todos os músicos têm o mesmo direito ao holofote.

Casado há mais de 30 anos com a ex-“bondgirl” Barbara Bach, Ringo vive um cotidiano compatível com a nobreza do pop: entre duas mansões (uma em Los Angeles, a outra em Monte Carlo, Mônaco), é a 56ª pessoa mais rica do Reino Unido, com um patrimônio estimado em 150 milhões de libras. Muito inferior ao de Paul (475 milhões), mas engordado ano a ano pelos direitos autorais da antiga banda, do sonho que acabou nos anos 1970. “É difícil ser um beatle na minha idade, porque as pessoas não querem que você cresça”, afirmou, numa entrevista recente (e rara). No palco, nem parece que o tempo passou: a jovialidade de Ringo ainda permite ao fã o privilégio da ilusão.

Por Tiago Faria, do Correio Braziliense

Serviço
Ringo Starr se apresenta no Recife com sua All Star Band neste domingo, às 20h30, no Chevrolet Hall (abertura dos portões às 18h). Ingressos: R$ 180 (pista inteira) e R$ 90 (pista meia-entrada); R$ 450 (frontstage inteira) e R$ 225 (frontstage meia-entrada), à venda na bilheteria do Chevrolet Hall e nas Lojas Renner dos shoppings Recife e Guararapes, além da Rua Imperatriz, no bairro da Boa Vista. Os camarotes estão esgotados. Venda a grupos: 3427-7506. Mais informações: 3427-7500

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