A teoria Dilma da pedra na vidraça

A opinião de José Nêumanne
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> Jornalista, escritor e editorialista do Jornal da Tarde
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> Direitos humanos,
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> conforme Dilma
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> Presidente recorreu a desculpa da pedra na vidraça para não ter de
> comentar violações dos direitos humanos pela ditadura cruel de 53 anos
> de Fidel Castro, seu ídolo na juventude combatente
>
> À falta de mais o que dizer em Havana para não comentar as violações
> de direitos humanos em Cuba, Dilma Rousseff decidiu: “Quem atira a
> primeira pedra tem telhado de vidro”. Desde a época da consolidação do
> território pelo esforço do Barão de Rio Branco, nossa política externa
> nada produziu de tão inusitado - a teoria do telhado apedrejado.
> Tivesse Osvaldo Aranha seguido o lema no Estado Novo, Getúlio Vargas
> não teria criado a Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater
> na Europa ao lado dos aliados. Afinal, que autoridade teriam os
> britânicos sob Winston Churchill para atirar a primeira bomba nas
> fortificações nazistas se a “pérfida Albion” já havia antes submetido
> metade do planeta ao tacão colonial? Isso sem falar nos não menos
> maldosos sobrinhos do Tio Sam, que dizimaram índios nas estepes do
> Oeste distante. A metáfora da pedra na vidraça pode até ser trocada
> pela do ianque no metrô moscovita. Vale recontar a velha piada: o
> comissário dos transportes exibia ao turista imperialista o mármore
> nas paredes de uma estação metroviária em Moscou quando este,
> insensível à beleza, consultou o relógio porque tardava o trem. “É,
> mas vocês matam índios”, retaliou o camarada.
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> Pois então os policiais que torturam presos nas delegacias brasileiras
> impediram nossa comissária-chefe de defender os dissidentes cubanos da
> tirania dos Castro, aos 53 anos . De nada vale nosso Estado de Direito
> comparado com os adversários do comunismo caribenho se violações de
> direitos humanos em nosso Estado (aliás presidido por ela) a forçam a
> calar.
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> Aposentado o fuzil de guerrilheira no museu doméstico, Dilma decidiu
> revirar tudo pelo avesso com a autoridade que lhe concedem milhões de
> votos e altíssimos índices de popularidade. Havana inspirou-a a também
> a revirar pelo avesso os cânones gramaticais da língua que usou para
> jurar fazer cumprir a Constituição. “Os demais passos não É de
> competência do governo brasileiro”, disse ela ao se referir ao visto
> de turista concedido por seu governo à blogueira cubana Yoani Sánchez.
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> Os jornais corrigiram para SÃO, seja porque os computadores não
> aceitam a construção disforme, seja porque não entenderam a postulação
> revolucionária da chefe do governo brasileiro em relação à última flor
> do Lácio. Da mesma forma como seu antecessor, Lula da Silva, fletia o
> gênero de advérbios inflexíveis - MENOS miséria por MENAS pobreza - a
> sucessora dele usa o poder e o prestígio de que desfruta para inverter
> a regência verbal, submetendo-a não mais ao sujeito, como de praxe,
> mas ao complemento, como ela determina, fiel à sentença petista de que
> não há erro gramatical por ser a gramática um “luxo fútil”.
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> (Publicado na Pág. 2ª do Jornal da Tarde de quinta-feira 2 de fevereiro de 2012)

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