Dirceu tenta pintar a própria caradura

A opinião de José Nêumanne
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> Jornalista, escritor e editorialista do Jornal da Tarde
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> Dirceu tenta pintar
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> a própria caradura
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> Réu em processo penal pelo crime comum de furto, ex-chefe da Casa
> Civil de Lula convoca estudantes às ruas para desafiarem autonomia da
> Justiça no Estado Democrático de Direito
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> O ex-chefe da Casa Civil no governo Lula José Dirceu é acusado de ter
> chefiado uma quadrilha para desviar recursos públicos e privados para
> recompensar financeiramente o apoio de parlamentares de bancadas de
> partidos aliados do governo federal petista. A acusação não foi feita
> pelo líder de uma bancada de oposição, mas pelo procurador-geral da
> República, Roberto Gurgel. E foi recebida pelo Supremo Tribunal
> Federal (STF) e não pelos militantes da organização “reacionária” do
> que os blogueiros progressistas e companheiros de jornada chamam de
> Partido da Imprensa Golpista (PIG - porco em inglês). A Corte vai
> julgar um crime que não é político, ou seja de posição ou opinião, mas
> está capitulado em todos os códigos penais conhecidos, inclusive um
> que foi gravado em pedra no deserto e entregue ao profeta Moisés, os
> dez mandamentos da Lei de Deus - no caso o sétimo, “não furtarás”. E
> seus membros não podem ser acusados de antipatia pelo maior defensor
> público dos 38 réus, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que
> alçou a maioria ao topo da carreira e à glória em vida.
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> O que leva, então, o escaldado militante de extrema esquerda, cuja
> vida foi salva em troca da libertação do então embaixador americano no
> Brasil, Charles Elbrick, a percorrer o País em cruzada para pregar a
> mobilização dos devotos de sua doutrina para ir às ruas pressionar os
> juízes que decidirão seu destino? O desespero? Desesperar-se por
> esperar que a sentença lhe seja desfavorável se tem certeza da própria
> inocência é, no mínimo, insensato. O episódio batizado de mensalão não
> teria sido mentira inventada pela “mídia” e por seus adversários?
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> Neste fim de semana, em ousadia que jamais um réu de crime comum, o
> que é estritamente seu caso, jamais exibiu, Dirceu teve a pretensão de
> provocar episódio similar ao das “caras pintadas”, que ajudaram a
> derrubar seu atual aliado Fernando Collor de Mello da Presidência da
> República, em sua defesa pessoal. Ele conclamou os participantes do
> 16º Congresso Nacional da União da Juventude Socialista (UJS), ligada
> ao Partido Comunica do Brasil (PCdoB), a participarem do que chamou a
> “batalha final”.
>
> Mais do que uma ousadia a conclamação configurou-se um acintoso
> desafio à ordem democrática instituída. A garantia de autonomia do
> Poder Judiciário não é um privilégio de juízes togados, mas um direito
> do cidadão comum. O STF é a última instância para garantir as
> prerrogativas do cidadania e impedir a ação solerte da violência
> estatal contra ela. Propor-se a estimular hordas de militantes
> partidários do socialismo totalitário a subordinarem o Poder
> Judiciário a pretensões de impunidade de um dirigente político,
> sobrepondo seu ideário político às obrigações comezinhas que o gestor
> público tem de respeitar é um grotesco ato fascistoide.
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> (Publicado na página 02A do Jornal da Tarde de terça-feira 12 de junho de 2012)

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