Jovem trocada em maternidade busca explicações

Um erro que traz angústia para uma jovem, de 19 anos, que mora em Sertânia. Ela teria sido trocada na maternidade no dia em que nasceu, na cidade de Arcoverde. Hoje, ela busca uma explicação para o que aconteceu.

A estudante Natália, de 19 anos, descobriu aos 12 que foi trocada na maternidade. As desconfianças começaram por causa do tipo físico de Natália, que nada se parece com o casal que criou a garota.
“Foi um choque! Foi um choque pra mim. Eu sempre me preparei para o negativo. Mas você receber a notícia é um impacto muito grande. Na hora, eu perdi o sentido. Pra mim, tinha caído tudo na minha cabeça. Uma vida que eu tinha vivido com meus pais, que tinha desmoronado. Eu me senti como se estivesse no lugar de uma pessoa, vivendo uma vida que não era minha”, confessou.

O casal que cuida da menina – Neilda e Lindolfo – conta que foi enganado pelo hospital desde o parto, na casa de saúde São Lucas, em Arcoverde. Como a dona de casa, Neilda Oliveira, não havia feito nenhum exame de ultrassom para saber do sexo do bebê, soube pelo médico que tinha dado a luz a um menino. Mas, ainda segundo o casal, os enfermeiros teriam alegado que a criança precisava de cuidados especiais e a proibiram de ver o filho. Foi aí que, segundo dona Neilda, a troca do bebê teria ocorrido.

“Quando foi pra ‘mim’ ter alta, eu sempre pedia pra ver meu filho. Eu escutava as crianças chorando no berçário e dizia: esse é meu filho que está chorando. Eu quero ver o rostinho do meu filho! Eu não vi o meu filho”, disse dona Neilda.

O casal disse ainda que tentou convencer os enfermeiros de que a criança não era o filho deles. Não teve jeito. Neilda e Lindolfo levaram para casa a menina, que agora luta para descobrir o que ocorreu e quem são os pais biológicos.

O hospital está fechado há quase um ano, mas conseguimos encontrar um dos diretores, que defende a instituição das causas.

“A instituição, quando foi abordada pelos pais adotivos da criança, foi em busca ativa dos prontuários investigar se a denúncia era vazia ou real. Realmente, no prontuário constava que havia um bebê do sexo masculino e, daí para frente, assumimos a problemática. Não assumidos a troca. Até porque não temos prova de que foi trocado. Ele pode ter sido trocado pelas mães, pelos funcionários. Ninguém pode provar isso”, explicou Gustavo Azevedo, diretor do Hospital São Lucas.

No Fórum de Arcoverde, o processo que investiga a troca de bebês foi encerrado depois que a família de Natália aceitou um acordo com a Casa de Saúde São Lucas. Em 2007, o hospital pagou uma indenização de R$ 20 mil e forneceu uma lista com os nomes das mulheres que teriam dado a luz na maternidade na mesma data do nascimento de Natália. Mas para Natália, essa história só terá um fim quando acabar a angústia de não saber quem são seus pais biológicos.

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