Brasil: O futebol é o ópio do Povo?


No dia 12 de junho de 2014 começa no Brasil a vigésima Copa do Mundo de Futebol organizada pela FIFA, e que conta com a participação de 32 seleções nacionais representantes dos cinco continentes. Esta é a quinta vez que este evento acontece na América do Sul, e a segunda vez que se realiza no Brasil – a primeira vez foi em 1950 – naquele ano, o Brasil ficou mudo, quando perdeu o jogo final para o Uruguai, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

O futebol é o esporte mais amado e praticado pelos brasileiros. Quando o Brasil joga numa Copa do Mundo, o país pára na hora do jogo e milhões de pessoas de todas as idades e classes sociais ficam atentas à TV.

Porém, os preparativos para a realização desta Copa do Mundo despertou a maioria do povo brasileiro de um sono dormido por várias gerações. As pessoas pobres, sobretudo as que vivem nas cidades onde se realizarão os jogos da Copa do Mundo, perceberam que a despeito das péssimas co
ndições da infraestrutura e dos serviços públicos oferecidos aos pobres, as obras de infraestrutura exigidas pela FIFA se realizavam em tempo record e com um padrão de qualidade superior, com gastos de bilhões de reais (moeda do Brasil).

As contradições se multiplicaram. Ao lado dos aeroportos que são ampliados e modernizados, bairros inteiros reclamam a falta de pavimentação das ruas e a ausência de escolas para as crianças; próximo a modernos estádios que se erguem para serem palcos dos jogos de futebol, milhares de famílias invadem terrenos baldios e constroem barracos de plástico, porque não tem onde morar; os hospitais públicos estão sucateados e insuficientes para atender quem precisa.

Diante dessa situação, milhares de pessoas saíram às ruas no ano passado, quando aqui se realizou a Copa das Confederações (uma espécie de prévia da Copa do Mundo, realizada pela FIFA), para mostrar ao resto do mundo os problemas vividos pela maioria do povo brasileiro frente a inoperância do Estado.

Este ano, durante a Copa do Mundo, tudo indica que as pessoas em passeatas voltarão a ocupar as Ruas das cidades brasileiras, aproveitando a presença da imprensa internacional que virá cobrir os jogos, para mostrar uma realidade que não é divulgada para o mundo.

A maioria do Povo brasileiro gosta de futebol e quer ver a seleção brasileira jogar e, se possível, vencer a Copa. Porém, o futebol já não serve mais como um ópio para fazer as pessoas esquecerem seus problemas.

Wellington Santana

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