A POBREZA É FRUTO DAS RELAÇÕES ENTRE OS HOMENS

Faço minhas as palavras da professora Marilia Montenegro.
Assim, depois de uma formação não só voltada para uma perspectiva do mercado, mas, primeiramente, para uma construção de profissionais voltados à “excelência humana”, esperamos que muitos de vocês, queridos formando, possam prosseguir no chamado do Papa Francisco quando afirma que “A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo... Saiam de vocês mesmos, de todo fechamento para levar a luz e o amor do Evangelho a todos, até as extremas periferias da existência!... Não deixemos entrar em nosso coração a cultura do descartável”.
         E, aproveitando o alerta da cultura do descartável, gostaríamos de conversar com vocês sobre o “mito de Tântalo”.
         Vivemos hoje no mundo da agonia do consumo, todos nós podemos desejar ser consumidores, os bens de consumos são expostos a todos da mesma forma, mas só um número reduzido de pessoas podem realmente SER consumidores. Muitos vivem a agonia de Tântalo. A mitologia grega nos conta que Tântalo foi punido por ter praticado um crime (os narradores divergem quanto à natureza de tal crime, mas são acordes que foi praticado contra os deuses). Sua punição perpétua foi ficar mergulhado até o pescoço em um lago, mas quando abaixava a cabeça para saciar sua sede a água desaparecia. Já sobre sua cabeça estava pendurado um belo ramo de frutas, mas quando ele estendia a mão tentando saciar sua fome um repentino golpe de vento carregava o alimento para longe. É fácil notar que, literalmente, tantalizados estão a grande maioria dos habitantes do planeta, que conseguem através dos meios de comunicação, das vitrines das grandes lojas observar todos os bens de consumo objeto dos seus desejos, passados pelo sistema como essenciais para ser alguém, mas eles são todos inatingíveis.
         No mito de tântalo, como disse, os narradores divergem quanto ao crime cometido. Já com relação aos milhões de habitantes tantalizados atualmente essa divergência não existe, pois o crime cometido por cada um deles é: ser pobre, é ser ninguém, é ser filho de ninguém, é ser dono do nada.
         Por outro lado, certas condutas, praticadas por quem é alguém e dono de algo não são percebidas pelo direito como crimes, como bem coloca o sociólogo polonês Zigmund Bauman: “roubar os recursos de uma nação inteira é chamado promoção de livre comércio, roubar famílias e comunidades inteiras de seu meio de substância é chamado “enxugamento” ou simplesmente racionalização. Nenhum desses jamais foi incluído entre os atos criminosos passíveis de punição”.
         Enquanto isso, os “ninguém”, os filhos de ninguém, os donos do nada se espalham pelo mundo, pelo nosso país e pela nossa cidade.

Wellington Santana.

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