A ALQUIMIA ENTRE BOB DYLAN E BEATLES

Prestes a completar 50 anos, o encontro entre Beatles e Bob Dylan ainda ecoa no mundo da música. De um lado o pop britânico, do outro o folk americano, e no meio disso tudo a maconha, o vinho, as composições, as melodias, as influências e músicas inesquecíveis.
Foi em 1964 que o encontro aconteceu. O local: um hotel em Nova York. Foi neste ambiente, um tanto quanto impessoal que os Beatles e Bob Dylan tiveram o primeiro contato. Músicos com estilos diferentes, uma banda pop com vontade de aprender e evoluir e um cantor intitulado folk, porém de alma livre e sem medo de se expressar. Uma mistura impensada porém com influências definitivas e certeiras. O encontro mítico, a primeira vez em que os Beatles fumaram maconha, o que temperou bastante a música dos Fab Four apontando caminhos fora da rota clichê de amor e balada adolescente que faziam até então.
A partir daí as referências apareceram. No disco Beatles For Sale, John Lennon declarou que tanto I´m a Loser quanto I Don´t Wanna to Spoil the Party tinham influência de Dylan pelo seu teor mais intimista. Nesse mesmo disco, Paul McCartney compôs I´ll Follow the Sun que nos remete a Don´t Think Twice, It´s All Right de Dylan pelo seu personagem “errante” semelhante aos da literatura beat da época. Bob Dylan por sua vez trocou seu violão por uma guitarra Fender, montou uma banda e saiu um pouco da linha acústica se aventurando pelos sintetizadores, mas não abandonou seu jeito peculiar com letras inteligentes e mensagens instigantes.
Um ano depois, em 65, ocorre a consolidação concreta desta troca musical extremamente rica. Help!, a música composta por John Lennon mais intimista até então (onde pede literalmente ajuda e assume suas inseguranças diante da fama repentina e estrondosa), alcança a primeira posição nas paradas de sucesso americana seguida por Like a Rolling Stone de Bob Dylan. Esta canção por sua vez é o ápice desta nova fase de Dylan, eletrizante e com letra provocadora consegue agradar diferentes públicos, desde o folk de protesto que ainda resistia aos novos rumos de sua carreira, até o pop que caiu nas graças de um artista obtuso.
Um encontro informal em um quarto de hotel regado a vinho barato e maconha nos rendeu umas das melhores trocas musicais que conhecemos até hoje. Onde o “folk” e o “pop” se cruzaram para formar uma nova vertente de rock com mistura de sagacidade, inteligência, um pouco de drogas e melodias inesquecíveis.





Toma banho de chapéu, não espera o papai noel, porém discute Carlos Gardel, entre outros, além de ser uma metamorfose ambulante. Então vá, faça o que tu queres! .


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