DALINHA CATUNDA
A mulher é titular absoluta em praticamente todas as narrações alegóricas da história da humanidade. Ela está na palavra verbal, nos textos literários mais sofisticados, até o cancioneiro popular, motivo principal desse nosso papo de agora.
Desde o século XVI, com versões em espanhol, depois se expandindo à Portugal com várias edições, e a posteriori no final do século XIX, chega ao Brasil, via nossos colonizadores.
No Nordeste brasileiro, Leandro Gomes de Barros, que teria morrido aqui em Recife, acometido de INFLUENZA, essa tal de H1N1. Pode? O livro - CORDEL: A TRADIÇÃO POR UM FIO, de autoria de Zacarias José dos Santos, nos fala de três folhetos que ilustram muito bem esta afirmação: Joana D'Arc, a heroína da França; de Delarme Monteiro da Silva, Maria Bonita, a mulher cangaço, de Antonio Teodoro dos Santos e evidentemente, a História da donzela Teodora, do Leandro Gomes de Barros.
Sim, mas Dalinha Catunda, cearense, da gema, de Ipueiras, cordelista, pertencente à - ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL. Não só isso: Dalinha é única e possui todos os requisitos exigidos para ser uma cordelista: tem origem, autenticidade, conhecimento do assunto e o que é primordial, metáfora. 
Dalinha é a nossa cara. Tem vários amigos virtuais aqui em Recife. Ela reside no Rio de Janeiro. De vez em quando, nos envia coleção de cordéis, dela e coletiva. Escreve bem e nos municia do que há de bom. No cordel coletivo: - MULHERES CANTANDO QUADRÃO À BEIRA MAR, vejam, parte do seu depoimento esclarecedor e afirmativo direcionado para o cordel coletivo, com o texto: - A MULHER EM TRÊS TEMPOS NO CORDEL: 
A mulher teve grande importância no oficio de repassar a cultura popular. Foi mestre em difundir suas tradições, contando histórias, lendas, causos, cantando cantigas de ninar, fazendo advinhas, cantando cantigas de roda, repassando as superstições, pois, tudo isso, é parte da ambulante cultura oral. O cordel, parente próximo do repente, não ficou de fora, era lido, contado ou cantado, também por mulheres. Mais na frente, ela diz: A mulher hoje, escreve cordel, ocupa as academias de literatura de cordel, onde antes era apenas um clube do bolinha. 
Em disputa com: José Walter Pires, colega de Academia, eles versaram em -Sete Linhas:
José Walter:
SEGURE O TOM DO SEU VERSO
PRA NÃO TURVAR O DEBATE
SOU PROFESSOR COM ORGULHO
E NÃO CACHORRO QUE LATE
QUEM NUNCA MORDE NINGUÉM
PORQUE CACIFE NÃO TEM
PRA SER CHAMADO DE VATE.
Dalinha respondeu:
NÃO SOU POETA NEM VATE
NEM BARDO SE QUER SABER
NÃO NASCI PARA LATIR
MAS APRENDI A MORDER
EU SOU MESMO É POETISA
QUE PELOS VERSOS DESLIZA
FAZENDO VATE SOFRER.

Comentários

 
Copyright ©2018 GArganTA MAGAlhães Todos os Direitos reservados | Designed by Robson Nascimento