SERTÂNIA PELO POETA ÉSIO RAFAEL

SERTÂNIA
"Oh, céu azul, o mesmo da minha infância"! Palavras do poeta maior da Língua Portuguesa, Fernando Pessoa.
Hoje, Sertânia está completando, 143 anos da sua fundação. Todos "nozes", estamos felicitados, regozijados e comemorando o dia do rompimento da placenta da nossa Pátria mãe. Todos! Desde os primeiros e humildes camponeses de Alagoa de Baixo, seu nome de origem, que pegaram no cabo da enxada, começando desta forma a saga da construção e constituição de suas respectivas taperas, casas de taipa ou de alvenaria. Estamos felizes por pertencer a essa terra de umbigos enterrados dos nossos ancestrais, não importando a classe social e política de quem quer que seja. Sertânia, é de todos, sem culto à personalidade.
Os nativos e mais antigos filhos dessa terra, conduzem às margens de suas lembranças, o viver precário, de uma época em que tudo era difícil. Água, nunca tivemos, até mesmo nos dias de hoje. Ela é sagrada! Quando ganhamos os primeiros clarões de luzes artificiais, movidas a motor, pelo menos até as 22h, parecia que o céu azul teria aberto e dividido com todos um pouco do seu clarão infinito.
As brincadeiras de rua da meninada, de forma artesanal, davam um brilho especial, um ritmo lúdico à criançada que se dividia entre brincadeiras de meninos: bola de meia, barra à barra, garrafão, notas de cigarros, peia quente, epa! E, brincadeiras de meninas: pular corda, boneca, drama, cantiga de roda. Além das brincadeiras mistas: academia (amarelinha), biliana, passarás, do anel, epa! Tudo isso, sob os olhares de seus pais, principalmente das mães, comadres, que ficavam com um olho no padre, outro na missa, sentadas nas cadeiras postas nas calçadas, porque não havia nem rádio, quanto mais novelas de televisão.
Hoje, a Internet, o face, o zap, apesar da parafernália dos avanços tecnológicos irreversíveis e sem dúvidas deslumbrantes, estão criando uma escola universal de MUDOS!
Oh, Deus! Como é ruim o viver sem falar. Mas, há uma vantagem em tudo isso. O discurso conservador, repetitivo, dançado, está se acabando. Esse negócio de "preservação" da cultura, identidade cultural, estão com os dias contados. Ora, cada geração, tem a sua identidade cultural. Melhor falarmos em identidade rotativa. Não faz mais sentido esse romantismo saudosista, purista. Bola de meia, a não ser postas em museus, ninguém sabe nem o que significa. Não há mais "motor da luz". As "brincadeiras" dos pré-adolescentes, os namoros, se processam dentro de casa, no quarto do menino, da menina, ou do transsexual. Parabéns, SALVE! SALVE! Sertânia querida, de nós todos, viu! Né, véeeeeeeeeeeeeeeeeeeei?

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